A importância do design em quiosques multimédia e sinalização digital

 

Em 2005 o Design Council publicou um estudo sobre o impacto do design no ROI, onde foram considerados portfolios de 63 empresas presentes no FTSE. Concluiu-se que, nos Estados Unidos, ao longo do período de 10 anos entre 1995 e 2004, empresas focadas no design ultrapassaram o índice FTSE 100 em 200%. Estes dados permitem afirmar que o design é um investimento que prova ter um retorno interessante, pelo que não devia ser um aspeto desconsiderado em qualquer produto.

 

Design

Sendo um processo multidisciplinar, o design é atualmente considerado um conceito holístico, tendo em vista todas as áreas que impacta dentro de um projeto.

O design viu a sua definição evoluir ao longo dos anos; ao passo que pode ser ainda percebido como preocupação com a estética, a definição prevalente destaca o relevo que a funcionalidade assume (como funciona) assim como a experiência do utilizador (UX) e a interação com o utilizador. Isto coincide com o Design Thinking – ou a mentalidade de design centrada no utilizador – que suporta as decisões relacionadas com o design. A noção de design como forma de pensar pode ser traçada até 1969 no campo da Ciência, com o livro “The Science of the Artificial” de Herbert Simon, ou até 1973 no campo da Engenharia, com o livro “Experiences in Visual Thinking”.

Anteriormente, o design era considerado isoladamente – ocorrendo já numa fase final do processo, era visto como uma preocupação tardia com o aspeto estético ou apelo da marca (através de publicidade bem executada) – e a única aplicação era no próprio produto.

Hoje, o design é visto como um aspeto que vem otimizar todo o processo, até mesmo a forma como uma organização funciona. Podemos dizer que um bom designer irá priorizar funcionalidade sobre o aspeto. Por exemplo, se for necessária a criação de um novo logotipo, um bom designer considera o que define a empresa, qual a informação que vale a pena exibir – assim como concorrência, tendências de mercado, etc; em suma, não se trata exclusivamente da criação de um logotipo mas de um novo meio de comunicação que tem de estar sintonizado com a mensagem da empresa.

De facto, pode afirmar-se que a comunicação é o ativo de maior importância dentro de uma empresa, tendo o poder de alterar a perceção do consumidor em relação a ela própria e aos seus produtos.

 

O Bom e O Mau

Sendo o design uma disciplina tão ampla, pode ser difícil perceber que características são fundamentais dentro de um projeto e quais – preferencialmente – a evitar.

Contudo, há algumas regras presentes em todas as aplicações de design, como os aspetos que melhoram a experiência e os que servem de entrave.

O mau design pode atuar como obstáculo – em vez de facilitador. Como é uma interferência adicional pode até diminuir o interesse potencial, dificultando ou impedindo uma potencial venda.

Por vezes ficamos frustrados por não sermos capazes de utilizar corretamente um objeto comum. Contudo, essa frustração pode ser originada pelo próprio design do objeto.

Jared Spool clarificou que “O bom design, quando é bem executado, torna-se invisível.” Um processo centrado no utilizador, aliado a branding consistente, resulta em bom design, e o bom design ajuda na transmissão da mensagem. Spool continuou com “Apenas quando é mal executado é que nos apercebemos.” A partir do momento em que o produto funciona, há uma probabilidade acrescida de nem pensarmos em como é que isso acontece. Contudo, se algo não está à altura, nota-se quase instantaneamente – mesmo que não consigamos apontar o que não funciona, notamos que algo está errado. De facto, sem um “olho treinado em design”, apenas se nota que um design tem algo em falta quando o produto não funciona devidamente – ou de todo.

O design tem um impacto direto no processo de compra – influencia como os consumidores se sentem em relação a um produto, bem como o subsequente processo de relacionamento e aquisição. A isto pode chamar-se preconceito de atratividade, que significa que o ser humano vê produtos apelativos como sendo melhores, sem considerar o desempenho.

O design, contudo, tem o objetivo de auxiliar o utilizador a atingir os seus objetivos, possuindo detalhes secundários de comunicação que nos ajudam a perceber como funciona um dispositivo. Por exemplo, nos smartphones, a forma de navegar para o ecrã inicial encontra-se no centro da parte inferior do ecrã – com ou sem botão físico, a localização manteve-se desde os primeiros modelos, e contrasta, de facto, com a localização do botão ‘menu’ nos modelos iniciais de telemóveis.

Recorre-se cada vez mais a Design Thinking, não com o fim de alterar o próprio produto mas de responder às necessidades dos consumidores através da combinação de viabilidade estratégica com a aplicação da tecnologia. O papel mais importante do Design Thinking é facilitar as interações entre utilizadores e plataformas, o que significa que pode ser aplicado em qualquer fase do processo, da metodologia ao produto final.

 

Vale a pena?

A sinalização digital assim como os quiosques multimédia, estão dependentes da forma como a informação é apresentada ao utilizador. O design otimiza-a, assegurando uma experiência perfeita e subsequente ROI mais elevado.

Os utilizadores irão, de facto, associar a experiência que os dispositivos de marketing experiencial lhes proporcionou com a sua perceção prévia da própria marca – pelo que ter uma experiência perfeita e sem falhas é essencial para melhorar a relação com o consumidor.

 

Beatriz Eiras

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