Cidades Inteligentes

 

Smart cities – o que são?

Uma Smart City (Cidade Inteligente) pode ser descrita como a visão para integrar tecnologias de informação e comunicação, assim como a IoT (Internet das Coisas), dentro de uma região urbana e de forma segura, de modo a gerir os seus ativos. Requer o envolvimento de várias plataformas tecnológicas, como redes de sensores automatizadas ou centros de dados, entre outros, que asseguram a inclusão de serviços comunitários – como os sistemas de informação de departamentos locais, hospitais, redes elétricas e de abastecimento de água, escolas, sistemas de transporte, gestão de resíduos, aplicação da lei. A tecnologia de informação é a infraestrutura principal e serve de base para prestar serviços essenciais aos residentes.

 

Inteligentes porquê?

As Smart Cities possuem uma rede de informação integrada que é partilhada com os cidadãos, incluindo informação sobre as infraestruturas de apoio ao crescimento económico, as que garantem inclusão social e as que asseguram proteção ambiental. Asseguram ainda o envolvimento dos cidadãos com a vida da cidade, diminuindo a solidão característica deste estilo de vida. Pedir a colaboração dos cidadãos, irá, por sua vez, aumentar a sintonia com a cidade, assim como a otimização de recursos.

Essencialmente, as Smart Cities recorrem a tecnologia urbana para melhorar a eficiência dos serviços e aumentar a qualidade de vida dos cidadãos. Facilitam as interações entre a comunidade, o governo local e as infraestruturas, o que resulta na perceção exata, em tempo real, do que ocorre na cidade, da sua evolução e de como melhorar as condições dos habitantes.

O aspeto fundamental é a enorme quantidade de dados recolhida a intervalos regulares (e posteriormente processada e analisada) de cidadãos e dispositivos, através de sensores integrados com sistemas de monitorização em tempo real, sendo a chave para resolver a ineficiência e para melhorar a qualidade, desempenho e interatividade dos serviços. A redução de custos e do consumo de recursos são os resultados mais imediatos, assim como a melhoria do contacto entre os cidadãos e o governo.

Efetivamente, quando comparada com uma cidade que tenha uma mera relação “transacional” com os seus cidadãos, uma Smart City estará melhor preparada para enfrentar desafios, sendo a sua característica fundamental a possibilidade de reagir em tempo real aos fluxos urbanos e adaptar a resposta subsequente.

 

A origem das Cidades Inteligentes

Durante 2008, em plena crise económica global, a IBM introduziu o conceito “Smarter Planet”, com uma estratégia com vista a melhorar o crescimento e o desenvolvimento. Ao mesmo tempo, verificou-se um progresso significativo nas aplicações do poder computacional a objetos do dia a dia anteriormente deste desprovidos (como telefones, carros ou linhas elétricas). “Um trilião de coisas inteligentes e conectadas estava a tornar-se num sistema de sistemas – uma “Internet of Things” – e a produzir oceanos de dados brutos.” (IBM)

A Cidade Inteligente (um extenso plano para auxiliar cidades em todo o mundo a serem geridas de forma mais eficiente, a poupar dinheiro e recursos e a melhorar a vida dos cidadãos, procedendo à recolha de dados valiosos em simultâneo) foi posta em prática, quando diversos países (como a Coreia do Sul, Emirados Árabes Unidos ou China), ao ver o potencial futuro do conceito, começaram a investir em investigação e formação, e hoje temos exemplos como Songdo International Business District (projetada e criada para ser uma Smart City, foi construída de raiz com uma rede de área ampla que recolhe informação de ruas, escritórios e casas) ou a iniciativa Amsterdam Smart City (cujo governo, comércio e residentes locais colaboraram no desenvolvimento de mais de 170 projetos). Em Barcelona vemos aplicações diárias da estratégia apelidada de “CityOS”, nomeadamente o sistema de irrigação do Parc del Centre de Poblenou (onde aplicaram tecnologia de sensores para transmitir dados em tempo real às equipas de jardinagem relativamente ao nível de água requerido pelas plantas) ao passo que em Santa Cruz, Califórnia, as autoridades locais recorrem à tecnologia das Smart Cities para ajudar a prever a quantidade de agentes necessária para lidar com os pedidos recebidos (uma lista com os 10 locais mais prováveis para ocorrência de crimes de propriedade  é gerada diariamente e, subsequentemente, são alocados os agentes previsivelmente necessários para as proximidades).

Portanto, as ideias inovadoras começaram a ver uma forma realista de serem executadas a partir do conceito original, desde redes elétricas ou transportes focados no indivíduo até sistemas inteligentes que ajudam na gestão de alimentos, água, segurança pública e cuidados de saúde.

A cada dia torna-se mais provável a redefinição da relação entre criador e criação; partindo de um mundo inteligente e interligado estamos mais próximos do que nunca de testemunhar sistemas capazes de perceber, raciocinar e, ultimamente, aprender – recorrendo à análise de dados, processamento de linguagem natural e aprendizagem automática (proporcionando aos sistemas a capacidade de aprender automaticamente e melhorar com a experiência).

 

Qual é o próximo passo?

O progresso testemunhado pelas Smart Cities permite inferir que se irão tornar cada vez mais presentes, com um aumento constante na qualidade e complexidade das suas propriedades – desde veículos autónomos até entrega de encomendas através de drones, o futuro está a ser preparado agora.

Contudo, há complicações esperadas que estão a gerar dificuldades, e tudo vem dar à base, por assim dizer. O problema está nos dados.

Atualmente, a apresentação da informação não é propícia à sua correta análise e interpretação; não foi ainda ajustada de modo a promover a interpretação humana da enorme quantidade de dados que é gerada num determinado momento no tempo, o que significa que, em vez de clarificar as relações entre os dados, o processo de tomada de decisão é dificultado.

Outra questão pertinente está relacionada com a natureza isolada das Smart Cities, o que dificulta a interação entre os sensores de setores diferentes, impedindo o cruzamento dos dados. Isto pode estar relacionado com custos de segurança assim como com sistemas antigos que não tiveram em consideração a sinergia entre diferentes origens de dados.

Será necessário alterar a forma como interagimos com a informação, para que a palavra “inteligente” se possa aplicar a estas cidades com fundamento.

Há também a necessidade constante de atualizar as infraestruturas (considerando os edifícios inteligentes, por exemplo), de modo a preparar e ter em consideração tecnologias mais recentes e novos modos de vida, o que significa que os planeadores precisam, mais do que nunca, de estar em contacto com a tecnologia.

 

Beatriz Eiras

Sorry, the comment form is closed at this time.